Uma palavra final sobre o posicionamento do crente e alguns aspectos práticos.
É necessário que cada um faça uma análise sincera da importância que tem dado a este assunto, especialmente aqueles que tem aceitado a pirataria como algo normal, cotidiano. Se meditarmos sobre o assunto à luz das Escrituras, buscando o auxílio do Senhor na percepção de como cada aspecto da vida diária deve ser conduzido segundo a vontade de Deus, veremos claramente que a pirataria é um pecado que deve ser retirado dos nossos costumes. Tal reflexão deverá provocar em nós mudança de atitude, arrependimento sincero e determinação em fugir de novas oportunidades de incorrer neste pecado.
Penso que estes erros que consideramos relativamente pequenos, como a pirataria, somam grande parte das ofensas que cometemos contra Deus. Quando comparamos a pirataria com pecados mais graves e de consequências mais severas, tendemos a considerá-la como um pecadinho pequeno, quase sem muita importância. O problema é que às vezes nesta comparação enxergamos essa “escala de pecados” fora de escala! É necessário perceber que mesmo os pecados que consideramos mais leves são odiáveis ao Senhor, totalmente reprováveis por ele, pois ele é perfeitamente santo e não tolera o pecado, incluindo a aparentemente inofensiva pirataria. Podemos avaliar o quanto realmente nos importamos com a nossa santificação analisando nosso comportamento em relação aos pecados que toleramos por não considerá-los tão graves. Disse o Senhor “Sede santos porque eu sou santo” (Lv 20.7) e isso deveria nos bastar para procurarmos expurgar de nossas vidas as mínimas manchinhas de pecado.
Se, de fato, nos preocupamos com a nossa santificação e consideramos a pirataria como pecado, é imprescindível que fujamos dela. É necessário tomar ações concretas para romper com esta prática e manter-nos afastados dela. Algumas iniciativas de ordem prática que eu sugiro seriam:
- Remover de seu computador os programas de troca de arquivos (Kazaa, BitTorrent, eMule, Limeware, Ares, etc) - Enquanto estes programas estiverem acessíveis logo ali ao alcance de um clique, você se expõe à tentação de colocá-los em ação e continuar alimentando esta prática. Vale lembrar que estes programas se baseiam na troca de arquivos diretamente entre seus usuários, ou seja, você tanto obtém material pirateado quanto fornece a outros aquilo que você já pirateou. Remova estes programas, não se coloque à tentação à toa deixando-os instalados aí. E, obviamente, não os instale novamente!
- Não compre pirataria no comércio popular – Quando você compra itens pirateados gasta seu dinheiro de forma reprovável por Deus, incentiva esta prática pecaminosa em quem produz e vende pirataria, furta o detentor dos direitos da obra , deixa de pagar impostos e dá mau testemunho da sua fé. Fuja dessa prática; prefira ficar sem um determinado material do que desobedecer ao Senhor Deus.
- Não peça para copiarem algo para você nem se ofereça para fazê-lo para outros. Não aceite quando alguém te oferecer uma cópia pirata de alguma coisa – Às vezes você poderá até passar por constrangimentos ao se recusar aceitar algo que estão lhe oferecendo “de bom grado”, ou então recusar-se a copiar algo seu para alguém. Não devemos negociar nossa fidelidade ao Senhor em troca da conveniência, mesmo que seja embaraçoso.
- Desfaça-se de todo material pirateado que você possui – Sim, isso mesmo... Delete aquela sua coleção de mp3 que você tanto gosta, mas que é pirateada. Apague os filmes que você esperou horas para que o download acabasse. Desinstale do seu computador aqueles programas pirateados, que você comprou na rua, baixou da internet ou conseguiu com um amigo. Jogue fora aqueles seus CDs, DVDs e jogos pirateados – não dê para outra pessoa, inutilize e jogue fora. Enfim, não tenha em sua posse nenhum material pirateado, mesmo que isto custe o seu conforto e talvez algum dinheiro para comprar algo que você realmente precisa, como alguns programas básicos para computador.
- Exorte, com amor, outras pessoas sobre este assunto, especialmente os de sua casa e amigos mais próximos – Você poderá causar certa estranheza às pessoas que sempre te viram usufruir de pirataria a partir do momento que você se posicionar contra este erro. Não tenha receio de ser taxado de santarrão hipócrita que até ontem aprovava e hoje diz que é pecado. Exorte com paciência e amor, mantendo o bom testemunho e procurando criar nas pessoas ao seu redor a consciência que este pecado deve ser afastado. (Hb 3:13)
- Lute sempre – lute mesmo pois a tentação é constante. Ofertas de pirataria sempre aparecerão, e é necessário firmar o propósito de não incorrer novamente no erro. Curiosamente, durante os dias em que estive preparando este post me interessei por um filme que já está praticamente fora de cartaz. O filme é argentino, passou apenas em uma ou duas salas de São Paulo, deve sair de cartaz antes que eu possa vê-lo pois só há uma sessão diária em um horário ruim para mim. Além disso, não é um filme famoso e jamais vou encontrá-lo numa locadora por aqui. No meio das minhas buscas por uma sessão melhor em algum lugar, já desistindo, eis que me aparece no meio dos resultados um link para download do filme. Hmmm... deu vontade, mas preferi deixar prá lá e fechei logo o navegador! Ainda pensei na incoerência de estar escrevendo um post sobre pirataria e ao mesmo tempo baixar o filme! Dessa eu passei, mas certamente não faltarão outras oportunidades em que eu terei que dizer “não” a mim mesmo se eu quiser fazer o que é certo. Lute sempre!
Como incentivo, relato brevemente minha experiência pessoal sobre este tema.
Desde que comecei a mexer com computadores, há uns 16 anos atrás, a pirataria sempre foi uma tentação constante. Confesso que aos meu 15 anos, instalando um jogo no computador de casa (emprestado de um amigo, em 21 disquetes!), eu nem fazia ideia de que copiar aquele jogo para o meu computador era errado. Um pouco mais tarde vieram as versões de Windows e Office vendidas nos camelôs, bem como diversos outros programas a jogos. Mais adiante veio a moda dos compartilhadores de arquivos, e eu era um utilizador fervoroso do Napster, o pai dos programas peer-to-peer. Na soma geral dos anos, eu havia usufruído de muitos programas pirateados (e “crackeados”, ou seja, utilizando artifícios para modificar o programa de forma que eu fosse reconhecido como um usuário autêntico). Montei uma biblioteca razoável de arquivos mp3, seriados de TV e alguns filmes.
A uma certa altura, no entanto, a percepção de que tudo aquilo era errado foi crescendo em meu coração e eu via cada vez mais claramente que era necessário mudar meu comportamento. Me desanimava quando eu pensava em me desfazer de tantas músicas que eu gostava e que não teria como adquirir os CDs, além de diversos programas de computador que eram necessários.
Mas esse incômodo aumentava em mim, a ponto de eu perceber que não bastava simplesmente pedir perdão a Deus por ter obtido material pirateado mas permanecer com ele em meu poder. Era inquietante, me lembro de inúmeras vezes estar no culto, em oração de confissão ou tocando no grupo de música ou me preparando para a Santa Ceia e pensar “de que adianta pedir perdão a Deus se as coisas continuam armazenadas no computador lá de casa e eu continuo usufruindo de tudo aquilo?” Lembro-me também de um dia em que eu estava criando a arte de um panfleto que seria distribuído em um trabalho da igreja, e em meio à satisfação de estar fazendo algo para o serviço do Senhor, fui tomado por pensamentos sobre a incoerência daquilo, pois os próprios programas que eu utilizava para montar a arte não eram originais. “Como posso fazer isso para Deus usando uma ferramenta roubada?”
Um dia decidi que era hora de por um fim naquilo. E foi meio sem pensar muito – apenas fazendo o que eu sabia ser o certo, até para não pensa demais e desistir - que sentei na frente do computador e fui desinstalando tudo que não era original, removendo todos os programas de troca de arquivos, apagando dezenas e dezenas de pastas de arquivos musicais, episódios de seriados e filmes. Vasculhei minhas disqueteiras e quebrei todos os CDs de mp3 que eu escutava no carro, que continham músicas obtidas na internet. Joguei fora um punhado de filmes copiados em DVD e mais umas duas dúzias de CDs de jogos e programas. Limpei tudo que estava à minha vista. Algum tempo depois legalizei meu Windows e procurei programas gratuitos para utilizar em tarefas que eu precisava fazer.
Antes dessa atitude mais radical eu pensava que sentiria falta daquelas coisas todas, de todas as músicas, jogos, tanta coisa que tinha custado horas de garimpo e download na internet. Mas dou graças a Deus porque jamais senti falta de nada do que me desfiz; muito pelo contrário, senti-me feliz por ter me livrado daquele peso. A satisfação de ter me desfeito de coisas que eu gostava, para obedecer ao Senhor, me fez lamentar não ter feito isso antes.
Que o Senhor nos ajude a manter-nos afastados deste erro, procurando santificar-nos dia a dia para louvor da Sua glória !