Rodrigo Carrijo

Minhas meditações sobre a Palavra de Deus e vida cristã


Continuando, vejo mais um ponto que vale a pena ser citado em resposta aos argumentos que tentam justificar a pirataria.
  • O mandamento divino não abre exceções quanto à forma em que o furto é cometido. Quando Deus diz “Não furtarás” significa que não há nenhuma forma de furto que seja justificável. Apesar de ser algo óbvio, é importante notar isso pois muitos pensam que a pirataria está limitada ao comércio ilegal. Muitos crentes talvez não comprem um CD pirata numa banca, nem um DVD pirata embalado naquele saquinho com uma xerox da capa por verem muito nitidamente que isso é pecado. Entretanto, esta não é a única forma de pirataria. Quando você  copia arquivos mp3 de alguém, seja um conhecido ou seja através de um download na internet, está praticando pirataria pois nada altera o fato de que está adquirindo de graça algo pelo qual você deveria pagar pelos direitos de utilização para desfrutar. Se você fornece cópias de seus CDs pelos quais pagou, estará incentivando a pirataria e fazendo seu próximo tropeçar, pois ele não pagou os direitos para ter aquele bem.
    Quando surgiram as redes de trocas de arquivos (Napster, Kazaa, etc) a desculpa para a prática da pirataria através destes meios era a de que as transferências de conteúdo que se faziam eram de arquivos pessoais. Sendo pessoais eu poderia fazer o que quisesse com eles. A idéia é “se eu paguei por esse CD, eu posso dar uma cópia dele para quem eu quiser, pois o CD é meu, é pessoal”. Aqui entra o que eu citei no primeiro post. O crente deve andar na centralidade da Lei de Deus, não às margens. O crente deve olhar para essa justificativa e perceber que, tratando-se de itens pessoais ou não, não se pode fornecer isso de graça para alguém que também deveria pagar por aquilo. Você estará incentivando seu irmão a desobedecer o mandamento “Não furtarás” ajudando-o a roubar o artista que detém os direitos daquela obra, sonegando os devidos impostos e enfraquecendo um segmento da indústria e do comércio. Se estou comprando esse item pirata no comércio popular, estou também incentivando outros a praticar  este pecado, inconsicentemente passando ao vendedor a idéia de que o que ele está fazendo é bom e vantajoso tanto para ele quanto para mim.

Talvez um dos problemas com a percepção da pirataria como pecado é a aparente impessoalidade do ato. Por impessoalidade quero dizer o seguinte: a pirataria (que é um furto) é normalmente cometida contra alguém que você não conhece pessoalmente e provavelmente nunca conhecerá. Você nunca será perseguido ou responsabilizado pelo seu furto, não correrá o risco de ser pego ou de passar pela vergonha de ter que admitir para a pessoa lesada que você a roubou. É aparentemente impessoal porque não é uma atitude claramente dirigida contra uma pessoa ou organização. É diferente, por exemplo, de quando você vai a uma loja de CDs. Você não se encoraja a roubar um CD, primeiro pela certeza de que isto é  pecado, depois porque você tem medo de ser visto, de ser descoberto, de passar pela vergonha de devolver o que roubou e até mesmo medo de ser preso por furto. Está fora de cogitação você tentar esconder um DVD na mochila; só o imaginar isso é vergonhoso e você jamais pensaria em fazer algo assim.

A aparente impessoalidade da pirataria, entretanto, elimina todos estes entraves. Você não está numa loja vigiado por câmeras, não há um vendedor ou segurança por perto, você não precisa arquitetar um plano para não ser apanhado, você não vai passar por nenhuma revista e nada vai apitar na saída da loja. Quando você faz um download de um filme ou recebe uma cópia de CD de um amigo, você não tem a sensação de estar tomando algo de alguém. Para que você obtivesse aquilo, ninguém deixou de ficar sem, ninguém abriu mão da posse daquilo para te dar, pois são cópias. Não é como se fosse algo roubado de uma prateleira. Ainda, o autor daquela obra não sabe que você o está ofendendo; ele nunca saberá. A impressão é de que você não está roubando nada de ninguém, pois não parece haver alguém que seja dono daquilo, que vá descobrir este ato ou que vá reclamá-lo em momento algum.

É, entretanto, uma impessoalidade apenas aparente, pois mesmo que você não conheça diretamente a quem está lesando, o Senhor Deus, que vê todas as coisas, tem pleno conhecimento disto e é pessoalmente ofendido quando seus mandamentos são desobedecidos e sua autoridade é desprezada. 

No próximo - e último - post sobre o tema, vamos tratar sobre como o crente deve se posicionar sobre a pirataria.

Abraço!

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